segunda-feira, 17 de agosto de 2009
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Crise mundial: o mundo por vir
Claro que vivemos um momento histórico com a reunião do G-20 e suas tentativas de colocar fim à crise geral que assola o mundo, principalmente os países desenvolvidos. Na verdade, pergunto-me, qual momento não é histórico, sendo que sempre estamos a caminhar pelo tempo? Deixando para lá divagações entre continuidade e descontinuidade, permanências e rupturas, (jargões repetidos até a exaustão hoje em dia), identifico esse momento como mais um daqueles que prenunciam, não uma “nova era”, como gostam de falar aqueles carregados de profetismos milenaristas, mas de um momento histórico que, junto com outros, engendram novas formas de relacionamentos entre os países. Sabemos claramente, quem acompanha os jornais e lêem algum tipo de literatura mais "formativa", que tal evento, ou seja, a reunião do chamado G-20 em Londres no início de abril, dá mais um passo na criação de uma nova ordem mundial. (“Alguma coisa está fora de ordem”, já dizia Caetano). Na esteira da queda do muro de Berlim, da aceleração da globalização econômica, colocada agora em xeque com a crise que se instalou em 2008, e cultural, nunca duvidada, e aprofundando-se a cada dia, dos ataques terroristas
Por outro lado, sabemos também que esta crise que vivenciamos não é apenas econômica, mas também presentimos que, no fundo, para repetir aquela frase clichê, a "crise é moral"! Quem não sabe da culpa dos altos banqueiros na pane do sistema atual? As mentiras foram uma das grandes responsáveis pelo que acontece agora. As propagadas por (ir) responsáveis de bancos e agências financeiras, que “jogaram”, não teria palavra melhor, com o dinheiro daqueles que confiram a poupança de anos de trabalho na instituição "x" ou "y". Sei que o "buraco é mais embaixo", e que não tenho know-how suficiente para debater sobre economia e derivados. Mas qualquer um, mais atento, sabe que o sistema em si, baseado numa procura sempre crescente, e que deve se estear para manter o sistema em pé, é de uma insustentabilidade tal, além de ser baseada também em uma mentira, que outras crises já são tomadas como certas no futuro. As crises econômicas não são novidades. Tal como as conhecemos hoje em dia, aconteceram sempre, desde que o sistema capitalista predominou como forma de produção e consumo. Geralmente, em retrospectivas, fala-se na "crise de 1929" como paradigma típico de crises econômicas. E não erram. Contudo, o século XIX presenciou duas delas também. Em 1826 tivemos o crack da bolsa de Londres e em 1873 o da bolsa de Viena. Em
Não me baseio nas idéias de Karl Marx em minhas pretensas análises conjunturais e históricas, devido ao seu intrínseco caráter limitador e reducionista. Contudo, o pensador alemão não erra em nos dizer que "tudo que é sólido desmancha no ar". O que presenciamos em todas as crises e nessa em particular? Tudo caindo como um castelo de areia. A riqueza desaparecendo, os empregos sumindo, o consumo despencando, a instabilidade política crescendo. Como nossas vidas pessoais são tão dependentes de instituições e “humores do mercado”! No último dia 2 de abril, quando Gordon Brown, primeiro ministro inglês, deu uma entrevista coletiva sobre o encontro do G-20, atrás dele via-se o logotipo do evento. Abaixo do “G-
terça-feira, 21 de abril de 2009
segunda-feira, 20 de abril de 2009
sábado, 18 de abril de 2009
quarta-feira, 15 de abril de 2009
quinta-feira, 9 de abril de 2009
quarta-feira, 8 de abril de 2009
Yes: Yeah Yeah Yeahs!
sexta-feira, 3 de abril de 2009
quinta-feira, 2 de abril de 2009
quarta-feira, 1 de abril de 2009
terça-feira, 31 de março de 2009
A insatisfação moderna
A modernidade ofereceu-se aos Homens como projeto de construção secular. Por meio da Razão, seria possível conquistar a "sorte" que tanto afligia os gregos e realizar na Terra o que a cristandade medieval apenas prometia para o Reino dos Céus. A felicidade seria uma construção individual e progressiva rumo a um fim determinado. Paradoxalmente, essa ideia libertadora apenas trouxe o seu reverso: se a felicidade era responsabilidade nossa, a infelicidade também. E, adicionalmente, se a felicidade era convertida em projeto, ela seria igualmente convertida em insatisfação interminável: jamais estaremos onde queremos estar; jamais seremos o que queremos ser; jamais teremos o que queremos ter. A felicidade moderna converteu-se numa vigília permanente: a vigília de Homens insatisfeitos; de Homens esmagados pelos seus próprios ideais de felicidade e perfeição. Viver com Brenin ensinou a Rowlands essa crucial diferença entre Homens e animais: nós vivemos mergulhados no tempo e nas nossas próprias teleologias pessoais. E a forma como desejamos sempre momentos que são posteriores ao momento presente impede-nos de viver qualquer momento de forma real e total. A infelicidade humana não nasce da nossa ignorância ou da nossa imperfeição. Muito menos da ignorância ou da imperfeição das nossas sociedades. A infelicidade humana é um produto da nossa específica temporalidade. Resta uma questão final: serão os Homens superiores aos animais? A resposta de Rowlands talvez seja a mais honesta: depende do que entendemos por "superioridade". Sim, um lobo jamais pintaria o teto da Capela Sistina. Mas será a Capela Sistina uma necessidade para um lobo? Ou, pelo contrário, será antes uma necessidade para nós? Uma forma de completarmos a parte que nos falta das várias partes que nos faltam?
"1984" é hoje...
quinta-feira, 26 de março de 2009
Projeto de lei de Cristovão Buarque!
quarta-feira, 25 de março de 2009
Fim da gratuidade da last.fm
domingo, 22 de março de 2009
segunda-feira, 16 de março de 2009
Pondé na Folha
"[...] Volto hoje ao relativismo (sou um obsessivo, já perceberam?), apontando outro impasse. Há alguns dias, na Escandinávia (aquele lugar onde a humanidade deu certo porque as pessoas têm os afetos corretos, as opiniões corretas, os sexos corretos e os lixos corretos), especialistas se reuniram para debater os direitos humanos. De repente, uma ansiedade toma conta da plateia:
não seriam os direitos humanos uma invenção eurocêntrica? Oh! E aí? É justo aplicá-la a todos? O problema surge quando se pergunta: e se alguma "cultura" se sentir ofendida com tais "direitos"? Uma solução seria dar às "culturas" a chance de dizer "não" ao que as agredir na sua integridade. Típica solução da ética festiva do relativismo de salão. Mas como aplicá-la? Como evitar que a ideia de direitos humanos invada a praia dos "outros"?
Vejamos. Onde acaba uma "cultura" e começa outra? Portanto, "quem" teria o direito de dizer "não"? "Quem" ou "o que" seria "uma cultura"? Quem falaria pelas "culturas"? Quem diria "não"? O presidente do país? Delegados da ONU? Xamãs? Alguma ONG?
Fundamentalistas? O "povo"?
Aquele mesmo que normalmente passa por cima de todo mundo, movido seja lá pelo que for?
E mais, que tal pensarmos em alguns "nãos"?
Não à democracia. Não à emancipação feminina, nada de mulheres estudando coisas que complicam o dia-a-dia do patriarcalismo. Não ao aborto. Não à pesquisa com células-tronco. Não à universidade laica.
Não à condenação da "circuncisão feminina". Não à condenação de massacres intertribais na África (afinal, é da cultura deles se matarem, há milênios). Não à transfusão de sangue. Não à proibição de matar bebês com más formações. Não à tolerância religiosa. Não à imprensa livre (aqui talebans de todos os tipos poderiam repudiar tudo de que não gostam). Não ao homossexualismo.
Não às vacinas (isso seria mais típico de quem abraça árvores). Não ao casamento interracial. Não à internet (grande risco de promiscuidade cultural). Não ao sexo fora do casamento. Não aos imigrantes estrangeiros."
